Meados de 1993, eu tinha quase 7 anos. Não sabia distinguir o certo e o errado, o feio e o bonito, mas tinha certeza do que era bom. Minha turma da escola, junto com a classe de minha mãe, estava fazendo uma visita até o quartel da Polícia Militar Florestal (hoje chamada de Polícia Ambiental)
Nada daquilo estava me interessando. A minha atenção estava toda voltada para a presença de uma câmera e uma repórter da TVI (afiliada do SBT na região). Eles faziam uma reportagem no local, e aquela atitude, que para mim era mais mágico do que qualquer conto insosso da Disney, reflete até hoje em mim.
Voltando para casa, em nosso super Passat 85 bege (Ah, eu me lembro dele!), eu disse para minha mãe: “Quero ser repórter!” Não tinha dúvidas. Todos os meus sonhos (delírios?) de infância, dos quais disse que queria ser bombeiro, policial, aviador, ator de filme pornô (é, eu sou louco) e até presidente (ainda não desisti), agora eram obsoletos frente a mágica que aquela câmera e aquele microfone fizeram
Eu cresci. E durante toda minha infância e parte da adolescência, eu fiquei fissurado pelo jornalismo. Inventava câmeras de papelão, gravava programas de rádio em meu gravador, o qual deve ter sido o presente mais esquisito que minha mãe teve de comprar para mim, e chegava ao cumulo, de quando viajava olhar as antenas nas estradas e ficar sonhando que ali era uma antena de TV. Aquilo era como ver a calçada da fama, era sublime.
Ainda na áurea época de criança, inventei um jornalzinho e distribui nas caixas de correio da minha rua. Era simples, escrito a mão em um estêncil (não sabe o que é? Procure no google) e rodado no mimeografo (procure no google, parte 2) da minha mãe.
A mania tomou ares maiores, e já na sétima e na oitava série, fui eleito para o grêmio estudantil da escola onde estudava e prometi implantar um jornal. Como não fazem os políticos, cumpri a promessa, e mantive sozinho o jornal. Nele, usava das minhas artimanhas para conquistar algumas meninas. Nem sempre deu certo. Nessa época descobri que o jornalismo é utópico.
Mudei de escola quando entrei para o colegial, hoje chamado de Ensino Médio. Mas mesmo assim tentei fazer um jornal na minha sala, idéia que não vingou. Porém, um dos meus companheiros da classe, chamado Jorge, trabalhava no antigo Diário Cidade Pérola, um jornal de Birigui, que depois se tornou Jornal de Birigui e atualmente é o Folha de Birigui. Ele, vendo toda a minha loucura por jornalismo, sugeriu que eu fosse até a sede do jornal, na época localizada em uma casa na rua dos Fundadores, falar com a editora-chefe, a Eloilda.
Como morava razoavelmente próximo da redação, fui até lá com o Oscar (canhar). Perdão pela piada, mas quando cheguei lá, acanhado, retraído, fui recebido com entusiasmo e em pouco tempo fui encaminhado para a sala da editora-chefe.
Então você quer trabalhar aqui? Sim, pretendo. Você escreve bem? Sim, acho que sim... Eu já ganhei dois concursos de redação, e fiquei em terceiro
Saí de lá sem um emprego, mas feliz, afinal tinha um lugar onde publicar matérias. E assim fiz durante algum tempo, mas logo a escola me fez perder o pique, e desisti. Nesta época foi que me aproximei da Folha da Região, onde acompanhava as notícias daqui de Birigui e também do Bandeirante. Tinha comigo, em mente, que um dia estaria no staff da redação da Folha. Isso era “tão certo quanto o calor do fogo”.
Um tempo depois, um fato, também relacionado ao jornalismo, colocou um ideal na minha cabeça. Fui visitar os estúdios da rádio Stereo Pérola FM, no programa Sueli de Fátima, que é uma amiga da minha família. Chegando lá, ela me anunciou no ar e disse o seguinte: “Está aqui no estúdio o futuro grande jornalista de Birigui o Márcio Braciolo”. Fiquei prostituto da vida por errar meu sobrenome, que é um fato normal, mas também aquela frase indicou o caminho. Naquele momento, boa parte da população da cidade sabia que eu seria um jornalista, e quem sabe grande.
O tempo passou um pouco, e eu terminei o colegial. Meu objetivo era conquistar uma vaga na Unesp. Para isso, tirei o ano de 2005 apenas para fazer cursinho e estudar. Mas o jornalismo, mais uma vez, mudou o curso de tudo o que tinha planejado.
Naquele ano, o jornal Gazeta da Região era inaugurado. O seu propósito era ousado: ser distribuído em quase todas as cidades da região, e de graça. A idéia era tentar chegar perto da popularidade e rentabilidade da Folha da Região, onde, inclusive, era impresso nosso jornal.
Quando circulou a primeira edição do Gazeta, o antigo namorado da minha irmã pegou um exemplar e levou para eu ver. Ele disse para eu entrar em contato com o responsável pelo periódico, o professor e jornalista Santo Crevelaro Neto, para pedir uma chance. Assim o fiz. Cheguei para conversar com ele, era o dia do fechamento do jornal, que era semanal, e conversamos bastante. Santo, precisa dar uma bombada nessa página de esportes, talvez uma coluna fique legal. Tudo bem, fica com a página e faz tua coluna. Nesse momento, eu acho, devo ter me tornado o editor de esportes mais novo da história do jornalismo brasileiro, quiçá mundial. Com apenas 17 anos eu mandava.
A experiência foi legal, mas com isso, revi alguns conceitos e decidi ficar por aqui mesmo. Cancelei o projeto Unesp, que ainda deu certo, mas explico em outra hora, e resolvi prestar jornalismo na Unitoledo. Fiz o vestibular e passei. 2006 seria especial. Depois de 13 anos do meu primeiro contato com o jornalismo, eu iria começar a ser realmente um.
O Gazeta acabou, e eu fiquei sem emprego. Mas alguns meses depois de entrar na faculdade, descobri do programa de estágios na própria Toledo. Lá tinha TV, rádio, fotografia e assessoria de imprensa. Prestei para rádio, algo que nunca tive o contato, mas que sempre me chamou a atenção. Nunca fiz uma escolha tão certa na minha vida. Foi na Rádio Toledo – iRadio, onde passei os anos mais felizes da minha vida. Conheci amigos, que hoje são jornalistas respeitados, como Rafaela Giomo e Eduardo ‘Indie’ Martinez (UDOP), Alex Brasileiro (Ass. Imprensa Prefeitura de Birigui), Diego Fernandes (Jovem Pan). Esses dois últimos já eram amigos de longa data, afinal também eram de Birigui e estudei junto (Alex) e joguei bola junto também (Diego).
Mas a peça mais valiosa da época do Rádio foi o Clemerson Mendes, o meu pai no jornalismo. Foi ele que nos deu a chance de cobrir as Expôs de 2006 e
Dois anos eu passei lá dentro. Novas pessoas vieram. Cibele Fonseca (Siran), Bruna Alves, Gláucia Maioli, Rafael Ferreira, Neila Storti (Ass. Imprensa Araçatuba), Vivane Fonseca e os dois futuros jornalistas mais brilhantes que eu conheço, que são Cláudio Henrique, sobrinho do grande Tilim, e que se Deus quiser, um dia o verei na Folha, e Natalí Garcelan, a qual não tenho palavras para descrevê-la. Apenas posso dizer que a presença dela na Folha, atualmente é de muita valia para mim, e certamente ela irá muito longe lá dentro.
Em fevereiro de 2008, eu estava querendo um emprego no mercado, mas já estava sem opção alguma. Mas, do nada, o professor, e editor-executivo da Folha da Região, José Marcos Tavaeira, me fez um convite, que era a confirmação da profecia feita anos atrás. Eu finalmente cheguei no lugar onde um dia queria estar: na redação da Folha da Região.
Meses se passaram, e hoje, Dezembro de 2008, trabalhando no melhor veículo de comunicação da região, seguindo adiante o sonho, tive a primeira orientação de TCC. Agora é oficial: em breve serei um jornalista diplomado. Os esforços que meus pais fizeram, as ajudas que muitas pessoas me deram, confirmando a confiança que amigos tiveram em mim, agora se tornam forças a mais, para seguir adiante a estrada quebrada, que me levou a minha escolha não intencional.
7 Comentários clique aqui:
Belas palavras fofinho...
Espero que sua estadia na Equipe UniToledo tenha contribuído de fato.
Tenho muito orgulho de ti, e a profecia vai sim se concretizar.
Mas você sabe né, que mesmo estando longe continuo observando o senhor, e elogios aqui não faltarão ao seu trabalho, mas também, a pegação de pé continuará né? hehehehe
Boa sorte Fofinho Braciolo :P huahuahu
Aow Marciao. Cara, vc consegue passar emoçao no texto. Consegui fazer as imagens na minha mente, sensacional vei.
Voce ta na Folha pq tem competencia, e com certeza seguirá rumo às suas metas sempre. Obrigado pela consideração, amigo, abraços e passa no blog.
Tantas histórias pra contar e tudo isso é apenas o começo. Jornalismo é isso mesmo, pura paixão. Nem mesmo as desilusões e dificuldades da profissão conseguem desestimular aqueles que nasceram para a notícia, a informação, a comunicação, que é o seu caso.Seja no impresso, na TV ou no rádio, você sempre vai brilhar, pois tem amor, e do amor vem a dedicação e da dedicação, a competência. Sucesso irmãozinho
Primeiro: eu te amu! E fico muito agradecida por Deus ter colocado vc no meu caminho, já que nossa história é tão especial, né bolinho? Vc é um anjo que o Cara lá de cima mandou pra cuidar de mim e é um profissional (pois vc já é) que tem uma luz que eu me sinto orgulhosa em refletir... É meu querido, agora o TCC tá aí... e vamos fazer juntossssss, assim como muitos outros trabalhos! T amudoro do fundo do meu coração! Bjs carinhosos no seu tum tum!!!
Bleh! kkk
Visitando os blogs dos amigos, acabei passando pelo seu e tive a oportunidade de ler esse relato de vida. Que bela história, amigo. Fico feliz em saber sobre sua trajetória no jornalismo, atingindo suas metas. Que Deus esteja sempre com você... um forte abraço!
Belo texto, Márcio! Fiquei emocionada ao ler a sua história de vida. Creio que esse momento é só o inicio das grandes conquistas que você terá que compartilhar com seus amigos. Você é uma pessoa especial e que merece todo o sucesso do mundo! Que Deus te abençoe sempre e que a sua paixão pelo jornalismo cresça a cada dia. Amo-te!!
Bracioli, simplesmente adorei saber desta história. Realmente, eu tbm vejo em você um grande jornalista, uma pessoa com personalidade forte e extremamente doce. Isso sim é uma receita de vida. Eu tbm aprendi mto na rádio, errando bastante, mas crescendo, foi uma das partes mais gostosas do curso de jornalismo.
Bracioli, beijo, te vejo segunda na facullll
Neila
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