A beira do abismo, eu esperava por um fio de esperança.
Até aquele momento nada havia acontecido.
Depois de pensar alguns segundos, tentando entender as razões que levaram à ruína da minha vida, decidi que aquele era o momento.
Aquela era a chance de escapar e fazer do meu final, não feliz, mas aliviador.
- Espera! Não faça isso!
Uma voz.
Alguém tinha me visto.
Certamente imaginava o que eu iria fazer.
Pensei um pouco e me virei para ver quem era. Vejo a face da pessoa que me trouxe para esse lugar. Depois de ter destroçado minha vida, ela agora estava me impedindo de terminá-la.
O que ela quer comigo? Deixe-me morrer em paz.
- O que você está fazendo? Você ia pular?
Não respondi. Apenas abaixei a cabeça e derramei uma lágrima.
Ela se aproximou, sentou-se ao meu lado e me abraçou, fazendo com que o buraco que eu tinha em meu peito, aumentasse ainda mais.
Podia sentir o vento passar por mim. Estava oco, morto, seco.
- Você não atendeu ao telefone? Porque está me ignorando? – perguntou ela.
- Não tenho mais nada pra te falar.
- Como assim? Há muitas coisas a serem ditas ainda.
- Não. Da minha parte não. Eu não quero mais falar com ninguém.
- Eu não quero te perder. Disse ela com um olhar doce e penetrante.
- Me perder? Como? Você nunca me teve. Quando eu quis te ter pra sempre, você simplesmente me ignorou, fingiu que eu não existia. Agora, quando eu consegui seguir a minha vida e tomar minhas próprias decisões, você vem dizer que não quer me perder... Desculpe, eu não existo mais, o que você vê aqui é apenas uma sombra, algo sem vida. Eu morri.
- Você não entende, não é?
- Não, não entendo. Nem quero entender. Agora, me dê licença, preciso terminar o que comecei.
- Não – disse ela segurando minha mão -. Espera, ainda temos o que conversar.
Ignorei as palavras dela, e com um puxão consegui me soltar de sua mão. Dei alguns passos rumo ao abismo, e novamente ela me puxou.
- Não faz isso!
- Já me decidi. Agora não tem mais volta.
- Eu tenho algo pra te dizer, e tenho certeza que você ficara feliz.
- Ah, vai me dizer que está feliz com teu novo namorado? Aliás, você arrumou um não é?
Ela abaixou a cabeça, e também deixou correr uma lágrima. E novamente lançou aquele olhar penetrante.
- Eu estou grávida!
O choque foi mais doloroso que um atropelamento.
Senti um calafrio que começou no dedão do pé e terminou nas lágrimas que rolam pela minha face.
Balancei a cabeça lateralmente, em um gesto negativo. Não acreditava no que ela estava dizendo.
Ela então repetiu:
- Estou grávida. Você vai ser pai.
“Não posso mais continuar ao seu lado, não tenho mais vontade de continuar”, “esqueça, não consigo mais ser a mesma pessoa que um dia fui”, “Eu vou te esquecer tão rapidamente quanto eu te conheci”, “A estrada da nossa vida já não está mais juntas.” “Adeus”, “Adeus”, “Adeus”.... As palavras dela ecoavam cada vez mais em minha cabeça.
Agora, a dor era maior. O desfiladeiro me chamava de um lado, meu filho gritava de outro e a razão já havia se escondido há muito tempo. Não tinha mais escolhas, agora é minha obrigação seguir com minha família, cuidar do meu filho e fazer dele a pessoa mais feliz do mundo.
- Mas eu não te amo mais.
Aquela foi a senha. Uma lágrima, um soluço, um pulo. Minha vida estava acabando naquele momento. Agora, o pai daquela criança seria um covarde, um fraco. Ele não agüentou a pressão do mundo e resolveu usar a saída dos covardes.
- Papai, papai, acorda, você está suando!
Aquele dia poderia ter se tornado uma tragédia, e desde que aceitei dar valor a minha vida e cuidar do meu filho, esse sonho tem me perseguido todos os dias de minha vida.
2 Comentários clique aqui:
Belo texto Márcio.. vc ta inspirado hen moço! Escrevendo desse jeito não tenho dúvidas que está no ramo certo né? Deus te abençoe sempre!
Emocionante cara. Ow meu, passa no meu blog tbm, Abraços.
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